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Slow Blog da Tania


Uma questão de auto-fé

Tania Regina

Não me canso de ouvir uma música de Renato Russo que diz: "...Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo. Quem acredita, sempre alcança." Gosto da melodia, gosto da força da voz de Renato Russo, do tom da palavra... Mas, de verdade, faz pouquíssimo tempo que compreendi a mensagem embutida nessa dúzia de palavras. A música fala de auto-fé, de fé em si mesmo, de confiar nas nossas possibilidades, de ter fé que venceremos, na crença de que somos capazes de nos livrar de nosso defeitos (aquelas coisinhas em nós que não gostamos, mas somos...).

A palavra tem força, o pensamento tem força. Por meio deles, somos capazes de alterar o errado praticado por nós, que é sempre contra nós. E o ponto de partida para termos a palavra, o pensamento, a nosso favor, o ponto de partida para trabalhar a auto-fé é não alimentarmos culpa ou vergonha, sentimentos que nos paralisam, porque impõem a idéia da inutilidade, da impotência, da incapacidade. Nada de supervalorizar as imperfeições, os desacertos, exagerando no rigor conosco mesmo. 

Esta a maravilha da frase "...Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo. Quem acredita, sempre alcança." Tudo depende de nós.



Categoria: Pensamentos
Escrito por Tania Regina às 16h41
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Como driblar o mau humor

Tania Regina

 

TPM, menopausa, mau humor pelo mau humor. Ele, o mau humor, pode chegar por conta de uma noite maldormida, uma resposta desagradável, uma sensação de desrespeito, menor valia, injustiça.

 

Driblar, jogar fora, se livrar do mau humor requer disciplina. O mau humor é como uma doença contagiosa, capaz de contaminar relações, pessoas, a vida. Daí a necessidade de muita atenção para não se transformar em pessoa doente, contaminada pelo mau humor.

 

São vários os remédios para cuidar tanto do efeito como da causa.

 

Falar, por exemplo, é um remédio super-eficaz. O problema são os efeitos colaterais em caso de overdose. É preciso cuidar do tom, conhecer o interlocutor, saber seus limites, sua capacidade de compreensão, de assimilação... É preciso se colocar no lugar do outro, ouvir as próprias palavras e experimentar os sentimentos que elas geram.

 

Calar, muitas vezes, aumenta o mau humor, principalmente de quem está acostumado a falar, a despejar palavras no ouvido alheio. Mas quem consegue sobreviver às primeiras 24 horas, aproveitando esse tempo para refletir e vasculhar os próprios sentimentos, pode surpreender-se com o fim do mau humor.

 

A ação do outro, quase sempre, não é contra nós, mas contra ele mesmo. Assim como nosso mau humor tem em nós a maior vítima. O outro pode ressentir-se com nosso mau humor, mas o sofrimento interior, o comprometimento da saúde física e mental, é nosso,

 

Mal-humorados deixamos de compartilhar, conviver, aproveitar o nosso melhor e o melhor do outro.É desperdício de tempo. É desperdício da vida.

 



Categoria: Pensamentos
Escrito por taniaepedro às 07h35
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Por que um blog? O início

Tania Regina

Nos últimos dias tenho pensado em ampliar meus horizontes. Em divulgar idéias, fazer coisas, que possam fazer a diferença. Persigo meu crescimento interior e, acredito, minhas descobertas podem ajudar outras pessoas. Mesmo se não ajudarem, penso que não é certo guardar as próprias conquistas. É preciso compartilhá-las. Acredito na ação multiplicadora. Acredito que quando mudamos, promovemos mudanças à nossa volta. Acredito que todos e que cada um podem fazer a diferença. Sou otimista. O mundo melhora a cada dia porque as pessoas melhoram a cada dia. Boas notícias têm espaço especial nos meios de comunicação. Daí nossa percepção (errada a meu ver) de que tudo está ruim demais. Entretanto, se olharmos para o lado, se olharmos para nós mesmos, identificaremos melhoria interior. Então, como o mundo pode estar melhor se somos capazes de identificar nossos próprios progressos e os progressos em nossos semelhantes?

Hoje, tive a idéia do blog. O meu lado ansioso - que precisa ser muito trabalhado - quer logo transformar teoria em prática e, assim, via google busquei "como montar um blog", várias páginas, poucas entraram. Lembrei que meu provedor tem um espaço para esse fim e cá estou eu, começando, experimentando... Ainda não sei o que vai sair, mas estou feliz em ter descoberto um ponto de partida para transformar em realidade o desejo de compartilhar pensamentos, atitudes, soluções para questões do dia dia a dia.

Tenho um filho adolescente, namoro sério - mas "rejeito" o casamento -, trabalho por conta própria - gerencio meu tempo -, tenho amigos especiais, com histórias de vida ímpares e, não raro, sou "convidada" a buscar com eles caminhos para seguir em frente. Talvez, por isso, tenha crescido em mim este desejo de compartilhar experiências. Quando falo, meu ouvido é o primeiro a ouvir, pois é ele que está mais próximo de minha boca. Quando escrevo, sou, também, a primeira a captar o sentido das palavras...

Tania Regina 



Escrito por taniaepedro às 07h24
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Conte sua história de São Paulo

Tania Regina

 

Eu morava a 100 metros da praça da Sé, na rua da Glória, enfrente ao

Paulistano da Glória, uma gafieira de muita fama no passado, e ao lado de

um colégio de freiras, o São José, onde estudei o curso primário e que resiste bravamente até hoje, embora tenha deixado de ser só para meninas.

 

Ali eu cresci, vi os trilhos do bonde serem arrancados do asfalto; a prisão

do bandido da luz vermelha; a chegada da iluminação com cara de Oriente; a implosão do primeiro prédio, o Mendes Caldeira, que trouxe no bojo a

unificação das praças Sé e Clóvis.

 

Minha mãe, dona de uma salão de beleza especializado em cabelo carapinha, o Salão Mocambo, atendia nossos parentes (que sempre penduravam a conta, apesar da placa indicando "fiado só amanhã" no espelho da bancada) e as "moças" que trabalhavam na gafieira. Ela dava um duro danado, em pé até altas horas fazendo penteados que faziam sucesso na época: ninho, mechas. Minha mãe fazia perucas também. E não demorou precisou de óculos para dar conta do serviço.

 

Em tempos de vacas magras, para aumentar a clientela, minha mãe nos mandava - eu, minha irmã Rute e uma moça mais velha, que morava com a gente, a Else - entregar folhetos do salão na Igreja Santa Cruz, na praça da Liberdade.

 

Não, não ficávamos fazendo propaganda do salão junto aos fiéis. É que toda segunda-feira à noite, os negros de São Paulo - homens e mulheres – se reuniam no entorno da igreja para trocar idéias, saber das festas, era farta a distribuição de circular de bailes, "tirar linha", flertar...

 

Nós adorávamos quando minha mãe nos mandava lá. Melhor que isso, só as sextas-feiras pelos lados da rua Direita, viaduto do Chá, rua Barão de Itapetininga, ali no Mappim, Galeria Nova Barão. Os moços da sexta-feira eram muito mais bonitos, arrumados, que os da segunda, e a paquera... muito maior. Só que não tinha jeito: só íamos lá escondido e rapidinho.

 

Na segunda, minha mãe marcava horário para a gente voltar. Na sexta, não tinha acordo. "Moça de família não pode frequentar" - alertavam meus primos. Sempre que eles nos encontravam por lá, nos levavam para casa e falavam para minha mãe: "Tia, não deixe elas irem lá!"

 

Depois de uma boa bronca, a gente esperava minha mãe esquecer e dava outra escapadela.

 

Bons tempos aqueles.

 

Tania Regina Pinto tem muita saudade desse tempo em que andávamos na rua sem medo de assalto, em que era possível reproduzir o "footing" das cidades do interior na nossa metrópole. E escreveu esta crônica em julho de 2006 

 

Publicada no livro "Conte sua história de São Paulo"



Categoria: cronicas e artigos
Escrito por taniaepedro às 09h12
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É difícil ser negro - Hamilton Cardoso

  O Hamilton escreveu este texto em 1977. Ele foi o meu veterano quando entrei na faculdade. Foi meu amigo, minha inspiração...

Sinto saudade. Ele partiu e ao publicar seu artigo - escrito no auge da nossa militância no Movimento Negro - eu o reverencio e envio amor,

pelas ondas do Universo, ao seu coração.

 

 Hoje em dia é duro ser negro. Aliás, ninguém no Brasil é negro, todo mundo é brasileiro, ao menos até a hora de ser discriminado. Dançar samba, fazer macumba, roubar, matar, ser baiano, cagar num lugar que não seja o meio, principalmente, tudo é coisa de negro (ou porque precisa ou porque é tradição ou, ainda, porque a sociedade assim definiu).  Mas a gente se esforça. Mas a gente é forçado porque na hora de ser discriminado, a pele preta da cara, o nariz chato, o beiço grande são o "urubu", o "macaco", na cabeça do branco.

Se a gente é bom e se comporta, alma branca. Se é ruim, o sanguinário Idi Amim. A imagem negra do branco, sempre na cabeça de cabelos lisos, na cabeça de cabelo duro, na mente brasileira. A gente é sempre julgado dos dois lados, direito-esquerdo, quem tá do lado de lá e do lado de cá.

Ser negro é difícil. A gente é colocado numa caixa, é moldado. A caixa é aberta e a gente sai (ou tiram a gente de lá de dentro). Aí, todo mundo pensa que a gente nasceu dentro da caixa. Todo mundo pensa que a gente foi feito junto com a caixa.

Respirar o vento poluído de fora da caixa não é fácil. É duro. Aí a gente descobre que tem pernas, braços, cabeça, cabelo duro, tudo preto, tudo negro. A gente arranca tudo do lugar e mistura no corpo. Merda! Todo mundo olha a gente e pensa que a gente é bicho. Eles esperam que a gente saia do quadrado da caixa! A gente sai como pode. Uns como eles, outros quadrados e outros como eram antes de entrar. Aqueles que saem como eles querem são condecorados (condenados): medalhas de prata, medalhas de ouro, medalhas de lata. Isto para a gente descobrir que é diferente do resto, melhor. Para descobrir não, para acreditar. Tem gente que acredita e sai dando medalhada na cabeça de todo mundo. É ouro! É prata! É lata! É tudo!

Soul, samba, macumba. Tudo é errado. Ou é coisa de nós gringos, ou é coisa de nós não. Eles dizem que a gente está-se destruindo. A gente destruído durante tanto tempo não tem o direito nem de se destruir, ou destruir o que resta da gente. Tirar uma casquinha de quem não tem mais casca, escalpelar a cabeça da gente mesmo. Esta cabeça (pra eles) burra, inteligente (pra nós), no alto deste pescoço preto.

Destruir eles? Nem pensar. Isto seria anti-humano, a-cristão, irracional.

Igualar? Impossível. Não se pode igualar o que não é diferente nem desigual.

É fogo! Ser quente pra mulher loura, fiel para a mulher negra, infiel para o homem negro, universal para o homem branco, mulata para o homem loiro, nega para todos os negros, exótica para o estrangeiro, fiel para o homem negro, doméstica para a mulher branca, doméstica para o homem negro, e tudo isto passivamente. Ser o que, afinal?

É duro ser negro. É difícil ser brasileiro. Brasileiro é coisa fina subdesenvolvida. Europeu de pele negra? Africano de pele branca? Exótico racional? É difícil ser negro.

É duro porque é preciso ser gente (além de ser obrigado). É duro ser gente  porque gente vive e respira no meio de gente. Mas gente é... sonho pop. Gente fina é outra coisa. Mas como ser pop se negro não pode nem é pop? Ser... o que?

É difícil ser negro. No Brasil é fácil nascer de pele preta. É fácil fazer macumba, ser rei do futebol, cantar samba ou ser quente na cama. É fácil ir para a praia deixar a pele mais escura, deixar o cabelo duro, black power. É fácil ter uma mãe negra, ama seca ou seca mãe. O duro, o difícil, é ser negro.

Hamilton Bernardes Cardoso, 1977



Categoria: cronicas e artigos
Escrito por taniaepedro às 09h09
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Morre lentamente...

Pablo Neruda

 

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não

encontra graça em si mesmo.

 

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

 

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os

dias os mesmos trajetos.

 

Morre lentamente quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova

cor ou não conversa com quem não conhece.

 

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

 

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco

e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções,

justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos,

corações aos tropeços e sentimentos.

 

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca

o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite, pelo

menos uma vez, fugir dos conselhos sensatos.

 

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva

incessante.

 

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta

sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre

algo que sabe.

 

Morre lentamente..

 



Categoria: cronicas e artigos
Escrito por taniaepedro às 09h06
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Prece da Solução - final

Não sou como todos e não preciso ser. A vida que é para os outros não é necessariamente a minha. Eu não tenho medo. Quero dizer bem claro ao Universo que eu não tenho medo de ser único a ser muito feliz na Terra, a ser muito rico na Terra, a viver na chuva de bênçãos constante. Não tenho medo der ser aquele que não tem medo. Não tenho problema de ser aquele que não tem problemas. Não tenho vergonha de ser aquele que não tem vergonha. Não tenho pudor de ser aquele que não tem pudor.

Assim, me permito viver na eterna bênção do fluxo constante das portas que eu mesmo abro, sabendo que Deus faz por mim quando, em mim, eu planto Deus, a consciência do bem, a consciência do melhor.

Todos os canais para a solução estão abertos porque na verdade nunca se fecharam. Nãoproblemas, tudo está certo: está certo este momento, esta prece, está certo o que eu como, o que eu falo, o que eu vivo. Tudo é bênção na minha vida e eu aceito essa bênção como o filho pródigo escolhido recebeu sua recompensa. Aceito a vida no que há de dor e no que há de sabor. Aceito a vida com ou sem amor. Aceito a vida pelo dom que ela é, no que é simpático e antipático, do que é prazer e o que não é.

Aceito a vida inteira porque vejo nela bênção em todos os sentidos: o que me falta me ensina daquilo que não tenho e o que eu tenho me ensina o que é ter as coisas.

Tudo me eleva, tudo se mostra, tudo reconhece, tudo me mostra a mim mesmo, e eu estou em paz. o bem é real, o bem é verdade. Estou em paz neste gesto em que abro meus braços da fraternidade e comungo com o Universo de bênção e de bem. Este momento é o que mais me convém. Tudo é assim porque assim está, porque esse é o ponto onde moro, o Universo onde me encontro, na atitude que tomo.

A bondade imensa da vida me concedeu a liberdade de criar o mundo que eu quiser e me colocar aonde eu bem entender. Neste instante eu me coloco no terreno da paz, da confiança plena, da certeza de que tudo que eu quero, que tudo que eu tenho, que todo o querer e poder e que na calma dessa confiança reforço todo bem daquilo que está, porque tudo está e tudo está aparecendo na consciência pouco a pouco. Nessa paz que eu fico, eu vou transformar essa Prece de Solução num gesto contínuo na minha vida. Eu vou viver no aqui e no agora, sem pensar que existe hora porque o Universo não tem tempo e a vida e sempre o que eu posso sentir. A vida toda é essa aqui. Aquela que eu sinto agora. O agora é eterno, pleno e real. Por isso eu sou eterno, pleno e real, porque eu sou aquele que está além do tempo, por que eu sou a consciência viva do próprio Universo. (Kalunga)



Categoria: Soluções
Escrito por taniaepedro às 09h03
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Prece da Solução - 1ª parte

Tudo está resolvido Tudo está perfeito na vida e no Universo. Aquilo que me faz viver, que põe vontades em mim, a fonte da vida, tudo aparece em mim porque ela tem no Universo todas as soluções para mim.

Eu acredito em todas as soluções, acredito em todas as saídas, acredito em toda modificação. Acredito de coração que tudo se renova, tudo recomeça, tudo avança, tudo progride, tudo renasce, tudo reforma. Acredito na imensa generosidade do Universo para comigo e para com todos.

Eu abro, neste instante, as portas da confiança do meu coração à generosidade da vida. E ao abrir as portas, a luz me aquece e a confiança brota. O resto é ilusão.

Tudo vem a mim na medida certa das minhas atitudes e minha atitude agora é de fartura. Abro minhas mãos como quem solta o que prende, solto o passado que não me serve e o futuro ausente, não abro minhas mãos para receber, mas abro minhas mãos para deixar ser. Abro minha mente para ouvir, meu coração para sentir, meu colo para receber. Liberto minhas pernas para caminhar, minha garganta para expressar, meus olhos para ver, meus ouvidos para escutar. Liberto minhas costas para não precisar carregar, me liberto do mundo para não me escravizar. Largo esse mundo para dominá-lo, não pergunto para entendê-lo, não chamo para alcançá-lo.

Meu silêncio é a confiança que tudo é solução. Meus planos, eu não penso. No amanhã, eu não penso. O Universo é o grande pastor de toda ovelha, porque Deus aos homens se assemelha e cria neles a chance, o recomeço e a renovação. Nada falta para nem um filho, o Eterno Pai concede tudo na medida de cada um e a minha medida, agora, é a generosidade com que perdôo o inimigo, o indivíduo que passou por mim e mostrou as minhas intolerâncias, as minhas limitações.

Liberto aos outros do julgamento; os críticos, do meu lamento; os agressores, do meu sofrimento. Me liberto dos olhos dos outros, da boca alheia, do parco das mentiras, para ficar na minha verdade interior. (continua)

 



Escrito por taniaepedro às 09h03
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Divulgue

Não desanime. Nem sempre conseguimos sair sozinhos das dificuldades que a vida impõe. O álcool e as drogas acabam muitas vezes fazendo parte do dia-a-dia dos que vivem nas ruas.

Mas, dispostas a fazer parte desse dia-a-dia, existem também muitas pessoas de bem. Unidas em associações, elas querem ajudar você a sair desta situação, sem cobrar nada por isso.

Uma dessas associações é a Casa de Convivência Núcleo de Ação Solidária Irmão Faria, na rua dos Estudantes, nº 486, Liberdade (até 11 vagas). Com café da manhã, jantar, banho e pernoite por até 5 meses.

Agendar vaga com Maria, de 2ª a 6ª, das 17:30 às 19 horas.



Escrito por taniaepedro às 08h59
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Para quem quer ficar junto

Artur da Távola

 

“Aos casados há muito tempo, aos que não casaram, aos que vão casar, aos que acabaram de casar, aos que pensam em se separar... aos que acabaram de se separar, aos que pensam em voltar... Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga.

 

Tudo o que todos querem é amar. Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado. Tem algum médico aí?

 

Depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? O amor. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos, o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo.

 

Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudade, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver qualquer garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom da voz nos fragiliza e, de cobrança em cobrança, acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.

 

Casaram. Te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto tem que haver muito mais que amor e, às vezes, nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios.

 

Alguma paciência... Amor, só, não basta! Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber levar. Amar, só, é pouco.

 

Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta apenas amar. Entre casais que se unem visando à longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo para cada um. Tem que haver confiança.

 

Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, “solamente”, não basta. Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, falta discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.

 

O amor é grande mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta. Um bom amor aos que já têm! Um bom encontro aos que procuram! E felicidade a todos nós!

 

Artur da Távola



Categoria: cronicas e artigos
Escrito por taniaepedro às 08h57
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