O amor no masculino

Tania Regina

 

Quem sofre mais por amor, o homem ou a mulher?

 

Não dá para saber. As mulheres falam, não escamoteiam a própria dor, trocam confidências com quem quiser ouvir – da amiga de infância à pessoa que acabaram de conhecer no ponto de ônibus.

 

Já os homens... Eles são diferentes. Têm um milhão de amigos: amigos de bar, de futebol, de balada... Mas ninguém conhece ninguém. Um código – não escrito – proíbe confidências.

 

Talvez, no auge do desespero, o homem exponha sua humana fragilidade. Mesmo assim, não em palavras, e só depois de um grande porre, com direito a lágrimas e  xingamentos à amada em abundância.

 

Claro que nem todos os homens são assim. Cada vez mais, buscamos o SER humano que se perdeu no caminho. E, por conta dessa busca, alguns deles começam a reivindicar – falando!!! – o reconhecimento de suas almas. É passado o tempo do homem que só pensa em sexo, não quer compromisso, não quer dar e receber carinho...

 

Há pouco tempo, ouvi o seguinte alerta: “Bonzinho, mas homem. Compreensivo, mas homem...” O autor deste alerta (eu sei) é um novo homem, construindo o seu “h” maiúsculo, uma soma explícita de sensibilidade + instinto. Explícita porque sempre existiu, mas estava proibida – em mais um código oculto – de manifestar-se em público.

 

São poucos, por enquanto, os homens que têm coragem de se expor, de abrir o coração sem medo de ser o único apaixonado confesso da Terra. E este meu pensar, minhas palavras, são para estes poucos, porque o Dia da Mulher, 8 de março, sábado, é também o Dia destes homens. Homens que não se reconhecem em pesquisas e comentários generalistas sobre o sexo masculino. Homens que querem ser identificados como seres que integram a humanidade do século 21. Homens que estão comprometidos com a construção de um mundo melhor. Homens que, de verdade, não estão preocupados em saber quem ama mais. Mas em amar, mais e melhor.