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Intolerância na arte de filmar

Classificação:

O mundo é hoje um lugar mais habitável que há 50 anos atrás. Mas ainda temos muito de intolerância. Um tema que está latente na nossa sociedade, haja vista os filmes em cartaz neste 2009:

• Dúvida

• Milk – A Voz da Igualdade

• Foi apenas um sonho

• O Leitor

• Operação Valquíria

Isso para citar, apenas, os que eu assisti.

Arte e vida, hoje, estão como o ovo e a galinha. Não sabemos quando a vida imita a arte e quando a arte imita a vida.

Dúvida, ou Doubt, nome original, dirigido por John Patrick Shanley, com Meryl Streep e Philip Seymour, brilhantes em suas atuações, tem como tema principal a suspeita. Um freira transforma sua desconfiança sobre a conduta sexual de um padre, com relação a um aluno negro, em verdade absoluta, apesar de não ter uma prova sequer contra quem elegeu como algoz.

Milk – A Voz da Igualdade, de Gus Van Sant, com o super-talentoso Sean Penn no papel de Harvey Milk, conta a história do primeiro homossexual assumido a ter um cargo político nos Estados Unidos, pelo voto, num tempo em que se queria proibir professores homossexuais de dar aulas nas escolas da Califórnia. Era o ano de 1978.

Foi apenas um sonho, dirigido por Sam Mendes, põe o foco sobre os relacionamentos, as verdades ocultas, as mentiras manifestas. Ao abordar a esperança como combustível para driblar a rotina, traz para o primeiro plano a intolerância com a própria vida, a falta de respeito com o seu querer, com sua própria opinião. Uma esposa, vivida pela premiada Kate Winslet, contamina a vida do casal com sua infelicidade pessoal e insatisfação profissional, enquanto o marido, papel de Leonardo Di Caprio, não assume a satisfação com a própria vida, porque simples, porque sem glamour.

O Leitor e Operação Valquíria reproduzem a Alemanha de Hitler e o holocausto. O melhor de a intolerância estar presente em tantas produções – me lembro agora da novela do horário nobre da Rede Globo que também aborda este sentimento -, além de um convite a olharmos nossa atitude no dia a dia é, também, a prova incontestável de que o mundo está ficando melhor porque nós estamos nos tornando pessoas melhores.

Na vida real, Milk foi eleito. Barack Obama foi eleito. Hitler foi derrotado. As mulheres têm direito a voto. No filme, Milk – A Voz da Igualdade homens e mulheres, heterossexuais ou não, engrossaram fileiras e fizeram a diferença, pois descobriram que só existe liberdade quando todos podem ser livres. Em Milk todos perceberam que “não existe o problema do vizinho”, todo e qualquer problema é de todos. Ou como escreveu Contardo Calligaris, na Folha de 26 de fevereiro, “é necessário defender a liberdade de nosso vizinho como se fosse a nossa”.



Categoria: Avaliação
Escrito por Tania Regina às 18h31
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Mulheres possíveis...

Uma pequena adaptação, com cortes, ao texto da jornalista e escritora Martha Medeiros

 

'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, levo meu filho no colégio, estudo com ele, brinco com ele, converso com ele, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia,  providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço orações diárias, e entre uma coisa e outra, leio o jornal do dia,   livros...
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável...
É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo..
Tempo para dançar sozinha na sala e junto no salão de baile.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos, de presentes, de decoração, uma livraria...
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias.
Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver um filme na TV.
Tempo para receber aquela amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para o quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir...
Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado podem  nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'.

Por Tania Regina



Categoria: Soluções
Escrito por Tania Regina às 10h15
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